25.06.2019 | 08h35

Opinião Ideia Big Data: Imigrantes, o fardo eleitoral nos Estados Unidos

Por Maurício Moura*

Estar longe significa, acima de tudo, viver preocupado em não se tornar um fardo para os outros, afirma Malala Yousafza, a mais jovem vencedora do Nobel da Paz, sobre a difícil realidade de ser imigrante. Dia 25 de junho é o dia do imigrante, e além de haver muito a se comemorar nessa data, sendo a imigração um dos pilares do desenvolvimento das Américas, também é um momento para reflexão sobre o papel central desse tema em eleições nacionais.

Nos últimos tempos, na Europa, não houve um pleito nacional que não tivesse o fluxo migratório – especialmente a questão dos refugiados sírios – como assunto amplamente divisor e polarizador do eleitorado. Na eleição presidencial americana de 2020, esse será um dos pilares da campanha do presidente Donald Trump. Na nossa opinião, esse protagonismo temático fortalece o favoritismo do atual presidente americano. E nesse sentido, as perguntas naturais são: por que Trump é favorito? E por que o tema da imigração ajuda?

Primeiro, a eleição americana não se ganha com a maioria passiva, mas com a mobilização das minorias (lembre-se que Hillary Clinton venceu o voto popular – total de votos – mas perdeu no colégio eleitoral para o republicano). As pesquisas de opinião atuais mostram que a aprovação de Trump não passa de 40%, nacionalmente, nível considerado baixo se comparado com outros presidentes que conseguiram a reeleição. Barack Obama, por exemplo, tinha 51% no mesmo período, em 2011. Entretanto, o presidente mantém níveis majoritários de popularidade em Estados considerados críticos para pavimentar sua vitória, como por exemplo Michigan, Wisconsin, Indiana, Ohio, Pennsylvania e Flórida. Nesses locais, as batalhas “trumpistas”, como a construção do muro na fronteira com o México, o endurecimento da política migratória e a guerra comercial com a China, têm muita ressonância.


Segundo ponto de favoritismo: a economia americana segue sólida. A combinação de crescimento com baixo desemprego é um fator decisivo de vitória nas urnas. Alguns modelos preditivos matemáticos eleitorais mostram que a cada trimestre de crescimento superior a 3% do PIB (Produto Interno Bruto), o presidente ganha, em média, 0.8 ponto porcentual de votos nacionais. Ou seja, nos últimos 9 meses, o atual ocupante da Casa Branca ganhou 2.4 pontos porcentuais em votos. Se seguir assim, será muito difícil para qualquer candidato democrata.

Portanto, os imigrantes, apesar de “preocupados em não se tornarem um fardo”, como diz a jovem Malala, seguem sendo o centro da discussão político-eleitoral, e alimentam a polarização da opinião pública em todo o planeta. Trump vai surfar essa onda e alimentar ainda mais o ódio das minorias mobilizadas aos imigrantes. Resta saber como os democratas vão carregar esse fardo. O mundo estará de olho.

*Economista, PhD em Economia e Política do Setor Público. É professor visitante na George Washington University e recebeu recentemente certificado do Programa da Owner/President Management da Universidade de Harvard. Fundador e Presidente do IDEIA Big Data.

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