30.07.2018 | 13h39

O jornalismo e a ‘ficção de imparcialidade’

Em artigo publicado no Estadão nesta segunda-feira, 30, o professor e jornalista Carlos Alberto Di Franco diz que, apesar de fustigado à esquerda e à direita, o jornalismo de qualidade ainda é a principal fonte de informação dos assuntos mais relevantes discutidos pela sociedade. “As redes sociais reverberam, multiplicam, agitam. Mas o pontapé inicial é sempre das empresas de conteúdo independentes”, afirma.

Segundo Di Franco, porém, a pretensa isenção frequentemente praticada pela mídia representa “uma das mais graves agressões” à ética e à qualidade informativa. “Matérias decididas em guetos sectários buscam a cumplicidade da imparcialidade aparente. A decisão de ouvir o outro lado não se apoia na busca da verdade, mas num artifício que transmite uma ficção de imparcialidade”, afirma. “O assalto à verdade culmina com uma estratégia exemplar: a repercussão seletiva. O pluralismo de fachada, hermético e dogmático, convoca pretensos especialistas para declarar o que o repórter quer ouvir. Mata-se a notícia. Cria-se a versão.” / J.F.


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