14.02.2019 | 07h51

Moro: de juiz a árbitro de crise política

A reação de Jair Bolsonaro à primeira crise política séria de seu governo tem uma série de ineditismos e quebras de institucionalidade. O filho virou personagem do gabinete, a fritura de um ministro se deu pelas redes sociais, mensagens privativas do presidente foram vazadas e, num dos atos finais, Sérgio Moro foi evocado como uma espécie de árbitro da bagunça toda.

Ao dizer que determinou a abertura de inquérito da Polícia Federal e mandou Moro investigar se houve uso de laranjas na campanha do PSL, Bolsonaro atravessa o sinal da separação institucional que tem de haver entre a Presidência e a PF, ignora que não é papel do ministro da Justiça cuidar pessoalmente desse tipo de investigação e transfere o ministro para o olho do furacão político, algo que fragiliza sua posição no momento em que terá de negociar com o Congresso a aprovação de seu pacote anticrime. O risco –mais um– que Moro corre no cargo que ocupa é ter a biografia usada como biombo pelo governo toda vez que houver uma crise ou denúncia de irregularidade. / Vera Magalhães


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