11.06.2019 | 11h48

Marco Aurélio: ‘Coitado do juiz Moro’

O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, voltou a comentar nesta terça, 11, a implicação do ministro Sérgio Moro em suspeitas de quebra de equidistância entre acusado e acusador contidas em supostas conversas com o procurador da República, Deltan Dallagnol, publicadas pelo site The Intercept Brasil. “Coitado do juiz Moro. O presidente (Jair Bolsonaro) o colocou numa sabatina permanente quando anunciou que houvera um acordo para ele deixar uma cadeira efetiva (de juiz federal), abandonando 22 anos de magistratura, para vir pra Esplanada e ser auxiliar dele, colocando-o na vitrine (…) E aí quem está na vitrine, o estilingue funciona”, disse ele ao chegar para a sessão da Primeira Turma nesta terça-feira, informa o Broadcast Político.

Para o magistrado, a reportagem “fragiliza o perfil” de Moro na caminhada rumo a uma vaga do Supremo, já prometida por Bolsonaro. “Vi com muita tristeza. O juiz dialoga com as partes – e o Ministério Público é parte acusadora no processo – com absoluta publicidade, com absoluta transparência. Se admitiria um diálogo com os advogados da defesa? Não. Também não se pode admitir, por melhor que seja o objetivo, não se pode admitir com o Ministério Público. Em direito, meio justifica o fim; o fim ao meio, não”, disse Marco Aurélio. O ministro ainda fala da decisão de Moro de aceitar ser ministro: “Não compreendo que alguém possa virar as costas a uma cadeira de juiz. E ele virou sem ser de uma família rica. Se ele fosse de uma família rica, e pudesse até partir para o ócio com dignidade, muito bem. Como é que se deixa um cargo efetivo dessa forma? Menosprezo à magistratura? Se foi, ele não está credenciado para o Supremo”.


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