18.02.2019 | 19h52

Do Marcelo: Bolsonaro começa a gastar seu capital político

O presidente Jair Bolsonaro não tem mais como recuar no tempo e desfazer a condução política desastrada que culminou hoje com a demissão do ministro Gustavo Bebianno depois de arder na frigideira do governo por quase uma semana. A crise seria bem menor se o presidente tivesse rifado o ministro logo depois de tê-lo chamado publicamente de mentiroso. O presidente precisa entender a dimensão da crise e lembrar que a campanha eleitoral acabou. Afinal, o governo não completou dois meses e já está gastando o imenso capital político que trouxe das urnas. E que só ele perderá se deixar uma crise política arder sem solução por tanto tempo.

A primeira lição que Bolsonaro deveria levar desse caso era redimensionar que papel seus filhos terão dentro do seu governo. Óbvio que continuarão sendo seus conselheiros. Mas o presidente precisa compreender que o eleito foi ele e não seus parentes. Outra lição fundamental é organizar definitivamente uma coordenação política. Bebianno fazia, por exemplo, ponte com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Sem ele, Bolsonaro precisa criar uma nova ligação. E parece estar disposto a assumir esse papel de articulador político de seu governo, o que pode ser uma boa ideia. Mas, dessa vez, Bolsonaro deu carne para os leões adversários. /Marcelo de Moraes


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