08.10.2018 | 10h10

Do Fucs: A ‘democracia’ bolivariana de Haddad

O discurso feito por Fernando Haddad após a divulgação do resultado do 1º turno, no qual exaltou a “democracia” e se propôs a “unir os democratas” é uma daquelas peças que costumam brotar dos laboratórios petistas no período eleitoral, mas têm pouca ou nenhuma relação com a realidade.  Considerando as posições defendidas pelo PT e o seu programa de governo, Haddad não está em condições lá muito confortáveis para falar em nome da democracia ou dar lição de moral a quem quer que seja sobre o tema.

A que democracia estava Haddad se referindo? Será que ele estava se referindo à “democracia” venezuelana, que o PT costuma exaltar? Ou será que ele queria remeter sua fala à “democracia” da Nicarágua, cujo governo autoritário o PT ainda outro dia defendeu? Talvez, o que ele quisesse mesmo era relacioná-la ao regime de Cuba, tão glorificado pelo PT, onde um partido único exerce a hegemonia há quase 60 anos. Ou vai ver que, de repente, não era nada disso. Vai ver que, no fundo, ele estava aludindo à proposta de censura da mídia, travestida de “democratização” dos meios de comunicação, que faz parte de seu plano de governo. Ou, então, à proposta de “controle social”  de todos os Poderes da União e do Ministério Público, que ele também apoia. É difícil dizer. O certo é que, quando o que está em pauta é a democracia, Haddad e o PT podem falar o que quiserem, mas não conseguem mais enganar nem os incautos, com suas narrativas fantasiosas. / José Fucs


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