11.10.2018 | 15h17

Da Vera: O que move o ‘Bolsofamília’

Jair Bolsonaro virar um entusiasta do Bolsa Família em pleno segundo turno da eleição presidencial, a ponto de propor a criação de um 13º para os que recebem o benefício, tem o mesmo intuito de Fernando Haddad esconder Lula ou pintar seu logo de verde e amarelo: beliscar novas fatias do eleitorado. Bolsonaro é sempre tão explícito em suas intenções que, para anunciar o benefício, fez questão de se cercar de dois deputados eleitos no Nordeste (sendo uma mulher) e dizer que quer elevar sua votação na região em que o Bolsa-Família é mais essencial.

A fala é uma guinada no discurso bolsonarista. Em 2003, o deputado chamou o benefício de compra de votos. Em 2011, disse que era um programa para “tirar dinheiro de quem produz e dar para quem se acomoda”. Em julho do mesmo ano, disse que, ao incentivar a “ociosidade”, o Bolsa Família era um entrave à escolha de bons presidentes. Em 2012 disse que o programa era “uma mentira” e que não se consegue ninguém no Nordeste “para trabalhar na sua casa” por conta dele. / Vera Magalhães


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