19.02.2019 | 14h35

Da Vera: O presidente está nu, e a culpa é do filho

Carlos Bolsonaro abriu a porta do inferno. Ao divulgar no Twitter, com a anuência orgulhosa do pai, áudios de trocas de mensagens de Jair Bolsonaro com Gustavo Bebianno, o vereador do Rio criou uma jurisprudência que autorizou o ex-auxiliar, ou emissários seus, a fazerem o mesmo e exporem uma tão longa quanto constrangedora conversa entre os dois.

Nela se conclui que: 1) Bolsonaro estava pouquíssimo interessado em apurar o laranjal do PSL, desculpa para a fritura do ministro; fala da entrada da Polícia Federal no caso mais para ameaçar Bebianno; 2) da mesma forma, todos mentiram: Bolsonaro e o filho ao dizer que o presidente não falara com o auxiliar; Bebianno ao vender que não havia crise quando seu filme já estava bem queimado; 3) fica óbvio que o maior incômodo de Bolsonaro era a relação de Bebianno com a imprensa –ora a Globo, hora sites, hora jornais–, sinal de que o que pesou para ele fritar o ministro foi, mesmo, o envenenamento do filho que estava 24 horas ao lado do pai; 4) uma crise que poderia ser resolvida nos bastidores explodiu pela crença estapafúrdia da família Bolsonaro de que comunicação de governo se faz pelas redes sociais. O preço de tanta inabilidade política ainda não está totalmente dado. / Vera Magalhães


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