06.03.2019 | 10h13

Da Vera: Convém ouvir o recado dos blocos

Na coluna desta Quarta-Feira de Cinzas, fechada antes de Jair Bolsonaro postar o vídeo escatológico no Twitter como a representar o que acontece no Carnaval brasileiro, eu falava sobre os protestos contra o presidente durante a folia e dizia que convém não subestimar ou fechar os olhos para o recado das ruas. Quando começaram os primeiros panelaços contra Dilma Rousseff, em 2015, a primeira reação do PT foi ironizar os “ricos” que usavam suas Le Creuset nas “varandas gourmet” das grandes cidades para fustigar a presidente. Como se viu, foi um tremendo erro de avaliação minimizar a insatisfação.

Os gritos contra o presidente deveriam servir de alerta ao Planalto para o pulso das ruas, que bate em compasso diferente daquele ambiente controlado e artificial das redes sociais a favor. Mas a primeira reação foi justamente a oposta: usar uma cena de procedência, data e local não identificados, de conteúdo escatológico, para difundir a ideia de que o Carnaval é apenas um amontoado de degenerados. O Carnaval é uma festa altamente lucrativa para empresas, governos e empreendedores, como mostram inúmeras reportagens a respeito. A diversidade cultural, social e regional não permitem estigmatizá-lo, como fez o presidente, que vai incorrendo, assim, no mesmo erro de Dilma. / Vera Magalhães


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