30.01.2019 | 10h31

Da Vera: A eleição do Senado e o caso do ‘garoto’

É eloquente o silêncio do governo na disputa pela presidência do Senado. Depois de uma tentativa malsucedida de Onyx Lorenzoni de incensar o correligionário Davi Alcolumbre, o Planalto discretamente foi saindo de cena. Um dos fatores que explicam a cautela é o caso Flávio Bolsonaro. O “garoto” vai assumir na sexta-feira e trará na bagagem o passivo Fabrício Queiroz, os relatórios do Coaf e a movimentação financeira ainda não elucidada. A avaliação no Senado e no Executivo é que o único postulante à presidência da Casa que tem coragem de “matar no peito” a pressão da oposição sobre Flávio Bolsonaro é Renan Calheiros (MDB-AL).

E, sobrevivente que é, já fez chegar ao Planalto essa disposição. “Simone Tebet ou Tasso Jereissati entregam o ‘garoto’ aos leões diante da primeira apertada da imprensa”, comenta um observador atento da dinâmica do Senado. Diante dessa perspectiva, Renan passaria a ser visto como um mal menor a engolir num governo de resto completamente desarticulado na Casa e que foi incapaz de costurar uma solução que fosse ao mesmo tempo segura politicamente e afinada com a pauta de reformas. Confiar o destino a alguém como Renan Calheiros, que só pensa na própria sobrevivência, no início do mandato é uma aposta de risco. Ou sinal de desespero. / Vera Magalhães


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