31.03.2019 | 15h55

Criar polêmicas não faz com que sumam os problemas do governo

Nos últimos dias, o governo e alguns de seus principais integrantes usaram e abusaram de martelar suas convicções sobre assuntos polêmicos como homenagear o golpe militar de 1964 e negar a existência da ditadura ou, no caso específico do ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araujo, defender que o nazismo era um movimento de esquerda. Não é coincidência. Sempre que um assunto complica a vida do governo, como o anúncio do IBGE, de três dias atrás, de que existem 13,1 milhões de desempregados no País ou quando esbarra nas dificuldades de articulação política no Congresso, o governo tem recorrido ao expediente de tirar um desses coelhos da cartola para tentar trocar de assunto.

Se a estratégia serve para desviar o foco momentaneamente, não funciona, no entanto, para resolver os problemas. Os milhões de desempregados, por exemplo,  ainda estarão em busca de uma vaga e as dificuldades com os parlamentares também seguirão existindo. A tática tem alcance curto. Se serve para agitar os militantes, não serve para fazer os problemas desaparecerem como num passe de mágica. /M.M.


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