06.03.2019 | 23h00

Carta do BR18: Vídeo escatológico postado por Bolsonaro repercute internacionalmente

Por Vera Magalhães *

 

A Quarta-Feira de Cinzas foi tomada pela repercussão, nacional e internacional, da postagem feita na última noite do Carnaval pelo presidente Jair Bolsonaro em sua conta no Twitter, em que divulgou um vídeo pornográfico e escatológico para dizer que esse tipo de prática é generalizada nos festejos carnavalescos do País.

A postagem foi uma espécie de resposta de Bolsonaro aos protestos feitos contra ele nos blocos, com gritos de guerra, xingamentos, vaias e sátiras. Nesta quarta, diante da repercussão do vídeo, em que um homem aparece urinando na cabeça de outro, Bolsonaro voltou à carga: “O que é golden shower?”, perguntou, provocando nova chuva de comentários. No final do dia, o Planalto divulgou uma nota tentando explicar o que passou na cabeça do presidente, dizendo que ele não quis “criticar o carnaval de forma genérica”.


As postagens suscitaram reportagens em veículos de imprensa internacional, foram repudiadas pela oposição e até por expoentes do campo conservador, como o jurista Miguel Reale Jr., que apontou quebra de decoro por parte do presidente e aventou até a possibilidade de que Bolsonaro responda por crime de responsabilidade.

A postura também dividiu as redes sociais, terreno caro ao bolsonarismo: as hashtags de crítica a Bolsonaro superaram as de apoio e monopolizaram os temas mais comentados do Twitter.

O assunto deixou de ser onipresente apenas diante da revelação, feita pela Lava-Jato, de que o ministro do STF Gilmar Mendes manteve contato com o ex-senador e ex-chanceler Aloysio Nunes Ferreira, investigado num processo no qual era relator. Aloysio teria interferido em uma decisão sobre habeas corpus ao ex-presidente da Dersa e suposto operador do PSDB, Paulo Vieira de Souza. A força-tarefa pediu a suspeição do ministro nos julgamentos que envolvam o Vieira de Souza.

Já no “mundo real”, onde a discussão da reforma da Previdência deveria ser prioridade no governo, o assunto é a escolha de Felipe Franceschini (PSL-PR) para presidir a CCJ. A favorita na área técnica do governo era a deputada Bia Kicis (PSL-DF), considerada mais firme e mais madura.

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*Com colaboração de Gustavo Zucchi

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