13.03.2019 | 23h00

Carta do BR18: Sob impacto de nova tragédia no País, Congresso tenta dobrar resistências à reforma

Por Marcelo de Moraes*

O Brasil não está tendo tempo de se recuperar das tragédias que vem enfrentando em 2019. Depois das mortes causadas pelo desastre do rompimento de uma barragem em Brumadinho, pelo incêndio no alojamento dos meninos das divisões de base do Flamengo e pelas enchentes no Rio e em São Paulo, dessa vez dois atiradores causaram novo horror aos brasileiros ao atacarem alunos numa escola em Suzano, na região da Grande São Paulo, com dez mortes registradas.

A nova tragédia causou comoção no Congresso e a reacendeu a polêmica sobre a posse de armas. Causou também surpresa a demora com que o presidente Jair Bolsonaro demorou a se manifestar publicamente para condenar o ataque. Justamente ele, que tem sido usuário ativíssimo das redes sociais e comentarista de todo o tipo de tema, dessa vez, demorou a prestar sua solidariedade às vítimas.

No meio de todo esse clima pesado, o governo seguiu tentando avançar nas articulações para aprovar a reforma da Previdência. O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a tomar à frente na tentativa de dobrar resistências dos parlamentares à proposta e admitiu que pode até adiar o envio da proposta sobre o pacto federativo se o Congresso avaliar que sua discussão pode contaminar negativamente o debate sobre a reforma.
Guedes também almoçou com líderes dos partidos na Câmara e voltou a defender que a meta da reforma seja mantida em R$ 1 trilhão para que seu resultado seja eficaz. E lembrou aos deputados que se o projeto for muito desidratado, o governo até pode sobreviver pelos próximos quatro anos, mas o País vai enfrentar consequências duras no futuro. “Essa proposta não é minha. É do País”, disse. Na conversa, houve um consenso que os governadores precisam se mobilizar e pedir o apoio de seus aliados no Congresso, o que não vem acontecendo, apesar de os Estados precisarem hoje muito mais da reforma até do que o governo federal.

No Supremo, começou a discussão sobre repassar para a Justiça Eleitoral a análise de crimes como corrupção e lavagem de dinheiro quando houver conexão com delitos eleitorais, como caixa dois. O julgamento foi suspenso com o placar de 2 a 1 a favor dessa tese, o que contraria a interpretação de juízes e integrantes da Lava Jato, que acham que a medida aumentará a impunidade de políticos.


Foi divulgada a agenda do presidente Jair Bolsonaro em sua visita aos Estados Unidos. O primeiro dia será dedicado a um jantar com o “guru” Olavo de Carvalho, que tem pedido a cabeça de membros do governo nas redes sociais. O encontro com Donald Trump será na terça-feira, 19 de março.

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*Colaborou Gustavo Zucchi

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