29.01.2019 | 23h00

Carta do BR18: Maia consolida favoritismo e voto aberto assombra disputa no Senado

Por Marcelo de Moraes*

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), consolidou seu favoritismo para se reeleger para mais um mandato à frente da Casa, depois de receber a sinalização de que MDB, PP e PTB deverão apoiar sua candidatura. Com essas adesões, a frente de apoio ao deputado do Rio já inclui 14 legendas, incluindo o PSL do presidente Jair Bolsonaro e praticamente inviabiliza candidaturas de oposição. No Senado, um fator inesperado aumentou a incerteza na disputa. PSDB e PSD decidiram que não seguirão o sistema de votação fechado e vão abrir seus votos. Se outros partidos seguirem essa linha, candidatos, como Renan Calheiros (MDB-AL), que contam com o voto secreto para evitar pressão da opinião pública sobre os senadores, terão mais dificuldades para conquistar apoio público dos parlamentares e a disputa fica mais acirrada.

Além desse problema, o MDB no Senado também enfrenta a disputa interna entre Renan e Simone Tebet (MS). A definição sobre quem será o nome do partido acontecerá apenas na quinta-feira, mas Renan fez um alerta em reunião interna: “se o MDB sair dividido, não vai sobreviver”. Para o senador, ganhar a disputa pela Presidência do Senado poderá devolver protagonismo ao MDB, enfraquecido pelo resultado das eleições.

Já os deputados calouros que talvez estejam ainda meio deslocados no jogo político participam nesta semana em Brasília de um curso promovido pelo RenovaBR para sua capacitação. Entre as “disciplinas”, vão se familiarizar com regimentos das Casas, o trabalho das comissões permanentes e o papel do legislador.


Nos desdobramentos da tragédia de Brumadinho, a Justiça decretou prisão temporária por trinta dias de dois engenheiros terceirizados e três funcionários da Vale que atestaram a segurança da Barragem 1 da Mina do Feijão. A ação foi tomada para a apurar a responsabilidade criminal dos cinco por suspeita de homicídio qualificado, crime ambiental e falsidade ideológica. Para determinar a prisão temporária, a juíza Perla Saliba Brito usou o argumento que eles poderiam atrapalhar as investigações. O governo também anunciou que vai iniciar ação para fiscalizar mais de 3 mil barragens que podem apresentar alto risco ou que possuem grande possibilidade de dano.
Outra missão do governo é tentar desfazer a impressão de que estivesse disposto a intervir na cúpula da Vale, responsável pela barreira rompida em Brumadinho. O ministro da casa Civil, Onyx Lorenzoni, negou que haja intenção do governo de usar seu poder dentro da empresa para pedir a troca da diretoria por causa da tragédia. A interferência tinha ficado no ar desde o dia anterior depois de uma declaração do vice-presidente Hamilton Mourão, em que admitia essa possibilidade. Essa fala acabou transmitindo um sinal dúbio ao mercado, que passou a questionar se o novo governo é realmente liberal ou se poderá interferir politicamente em empresas nas quais tenha participação, como a Vale, da mesma maneira que os governos petistas faziam, por exemplo, na Petrobrás.

Em São Paulo, Jair Bolsonaro deve reassumir a Presidência nesta quarta-feira, depois de passar pela cirurgia para retirada da bolsa de colostomia. Segundo o porta-voz da presidência. Otávio do Rêgo Barros, Bolsonaro tem apresentado uma evolução “bastante razoável, melhor do que nas outras cirurgias”. Apesar de voltar ao Planalto, o ritmo de trabalho do presidente ainda será moderado pelos próximos dias.

Preso em Curitiba, Lula tenta obter autorização para deixar a prisão em Curitiba para acompanhar o velório de seu irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, que morreu nesta terça, aos 79 anos.

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*Colaborou Gustavo Zucchi

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