29.03.2019 | 23h00

Carta do BR18: IBGE mostra desemprego em alta e faz governo acordar para o problema

Por Marcelo de Moraes*

Dados divulgados pelo IBGE mostram que a taxa de desemprego no Brasil subiu para 12,4% no trimestre encerrado em fevereiro. Isso representa cerca de 13,1 milhões de pessoas sem emprego no País. No trimestre encerrado em janeiro, essa taxa era de 12%. Com apenas três meses à frente do governo, obviamente esse resultado ainda não pode ser colocado na conta de Jair Bolsonaro. Mas aponta um problema gravíssimo e que parece ter sido deixado em segundo plano nas primeiras ações do governo.

Bolsonaro decidiu usar suas redes sociais para tentar amenizar o impacto dos números, lembrando que o levantamento incluía parte de dezembro de 2018, “período no qual é comum o saldo negativo”. Também, como sempre, criticou a imprensa pela abordagem do assunto e atacou os governos anteriores: “Ainda não estamos satisfeitos. Queremos mais empregos para os brasileiros! A corrupção de governos anteriores jogaram (sic) o nosso país na lama e muitas pessoas ainda sentem as consequências desse mal, mas estamos determinados a mudar de vez os rumos do nosso Brasil!”, escreveu o presidente no Twitter.

Mas, fora do mundo das redes sociais, a equipe econômica de Bolsonaro planeja medidas para tentar aquecer o mercado de trabalho, como conceder incentivo ao crédito. Propostas como a da reforma da Previdência ou venda de estatais poderão ter a capacidade de ampliar empregos, mas não têm impacto imediato. Ou seja, tudo indica que caiu a ficha dentro do governo de que gerar empregos tem de ser uma prioridade imediata.
Bolsonaro também recebeu outra má notícia no início da noite.


A 6ª Vara da Justiça Federal proibiu que sejam feitas comemorações pelo 55º aniversário do golpe de 1964, como desejava o presidente. A decisão foi baseada no risco de afronta “à memória a à verdade”. Como a data será celebrada no domingo, até lá, a decisão judicial ainda pode ser alterada.

No que foi considerado por alguns parlamentares como uma resposta ao Orçamento impositivo, o governo ampliou a tesourada no Orçamento antes prevista em R$ 29,8 bilhões para R$ 35,9 bilhões, considerando a reserva de R$ 5,372 bilhões para os pedidos adicionais de ministérios. Foram cortadas as emendas impositivas individuais (R$ 1,9 bilhão) e de bancada (R$ 991 mil) num total de R$ 2,956 bilhões, apesar das promessas de Onyx Lorenzoni de que esses gastos ficariam preservados.

O dia também não foi bom para o ex-presidente Michel Temer. Ele foi denunciado pela Lava Jato nesta sexta, junto do ministro Moreira Franco e outros investigados por supostos desvios milionários nas obras da usina nuclear de Angra 3. A Procuradoria da República apresentou duas acusações formais contra Michel Temer. Uma por corrupção e lavagem de dinheiro e outra por peculato e lavagem de dinheiro.

No Congresso, a trégua firmada com o governo começa a dar seus primeiros resultados. Escolhido relator da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça, o deputado Delegado Marcelo Freitas (PSL-MG) fez uma previsão de entregar seu relatório até o dia 8 de abril.

Em outra ponta, o ministro da Justiça, Sérgio Moro conseguiu garantir com os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, respectivamente, o cumprimento da promessa de votação rápida para seu pacote anticrime. No Senado, a proposta poderá até ser reapresentada por algum parlamentar e garantir celeridade nas discussões. Em entrevista ao BR18, Moro garantiu não se importar com uma eventual perda da paternidade do projeto. “Não importa a cor do gato desde que pegue o rato”.

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*Colaborou Gustavo Zucchi

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