11.03.2019 | 23h00

Carta do BR18: Governo quer liberar emendas e cargos em busca de apoio para a reforma

Por Marcelo de Moraes*

Para atrair o apoio de deputados e senadores para a reforma da Previdência, o governo decidiu acelerar a liberação do pagamento de emendas e promete também entregar cargos para os parlamentares. Os recursos virão de emendas que estavam congeladas desde 2014, embora fossem de caráter impositivo. O total desse bolo ultrapassa mais de R$ 1 bilhão e será rateado entre novas emendas apresentadas pelos parlamentares. A ideia é que essas verbas fiquem disponíveis o mais rapidamente, com previsão que isso aconteça até a próxima semana.

O aceno do governo acontece no momento em que a Câmara deve começar a discutir a reforma da Previdência. Com a instalação da Comissão de Constituição e Justiça prevista para esta quarta-feira, a reforma poderia finalmente iniciar sua tramitação. Apesar da promessa feita pelo governo, há muita insatisfação entre as bancadas parlamentares e acabou sobrando para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tentar organizar essas queixas, já que o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que deveria pilotar o processo do lado do governo, está fora, em viagem para a Antártida, justamente no período em que a reforma deve começar a tramitar.

E o que não falta ao governo são problemas alimentados pelos seus próprios integrantes. No Ministério da Educação, um “motim” capitaneado por integrantes da ala ligada a Olavo de Carvalho já quer derrubar o ministro Ricardo Vélez Rodriguez. O ministro entrou em choque com o grupo depois que decidiu afastá-los de perto do núcleo do poder da Pasta. O resultado, como antecipou Vera Magalhães no BR18, é que o grupo já começou a sugerir nomes para substituir Rodriguez no cargo.


O problema é que esse tipo de confusão só amplia a instabilidade e o desperdício de energia de um governo que deveria estar focado na tentativa de aprovar a reforma da Previdência. Em vez disso, prefere perder tempo e capital político com polêmicas desse tipo. A nova briga dentro da Educação amplia o desgaste interno do governo, que já tinha metido os pés pelas mãos no domingo, quando o presidente Jair Bolsonaro atacou a imprensa ao divulgar acusações falsas contra a jornalista Constança Rezende, do Estadão. O ataque feito por Bolsonaro, que acusou a jornalista de ter dito que tinha a “intenção de arruinar o governo”, algo que ela não fez. O comportamento do presidente foi condenado por entidades como OAB, ABERT, ANER, ANJ e ABRAJI. Durante a tarde, o jornal francês Mediapart, cujo blog de um jornalista foi o primeiro a publicar a matéria sobre a jornalista brasileira, classificou como “falsas” as informações que serviram como base para o tuíte de Bolsonaro e disse que o responsável é o dono da página e não a publicação.

Já o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, teve que voltar correndo de sua licença não remunerada. O provável candidato à reeleição pelo PSDB no próximo ano viu a chuva causar estragos na cidade e sua ausência ser criticada pela população.

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*Colaborou Gustavo Zucchi

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