14.02.2019 | 23h13

Carta do BR18: Governo fecha reforma da Previdência e tenta superar crise política

Por Vera Magalhães

O dia seguinte à fritura pública de Gustavo Bebianno, o secretário-geral da Presidência foi colocado numa espécie de limbo enquanto conselheiros políticos tentam minimizar a crise e arrefecer os ânimos de Jair e Carlos Bolsonaro em relação a ele. Existe no governo o temor de que, se for demitido da forma humilhante como vem sendo tratado, Bebianno estoure. O ministro, aliás, já deu demonstrações de que não pretende sair quieto. Em conversa comigo, proferiu uma frase entre enigmática e ameaçadora: “O que chamam de inferno eu chamo de lar”.

Ele repete que não tem responsabilidade sobre a destinação de recursos para candidatas suspeitas de terem sido laranjas nas seções estaduais do PSL, partido que recebeu o grupo bolsonarista na janela de filiação partidária e que foi presidido por Bebianno na campanha como parte do acordo.

Com a fritura colocada em fogo mais brando e os generais em campo para serenar os ânimos, o governo tratou de terminar o dia com uma boa notícia e de mostrar que está funcionando: em reunião com Paulo Guedes (Economia), Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e outros auxiliares, Bolsonaro finalmente arbitrou o texto da reforma da Previdência que será enviado na semana que vem ao Congresso, com idade mínima de aposentadoria de 65 anos para homens e 62 para mulheres (a equipe econômica defendia 65 para ambos) e tempo de transição do atual para o futuro regime de 12 anos.


Trata-se de proposta mais ambiciosa que a de Michel Temer e, para ser aprovada no Congresso, dependerá de uma articulação política mais consistente. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi contundente em entrevista: Bolsonaro tem de agir como presidente, e não como deputado ou presidente de associação de militares. Caso contrário, a reforma corre riscos. Ele está certo. Resta saber se o presidente ouvirá os militares e o aliado da Câmara ou o filho tuiteiro.

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