19.02.2019 | 23h00

Carta do BR18: Governo derrotado e acuado por ex-aliado

Por Vera Magalhães

 

A terça-feira foi um dia de presságios negativos para o governo Jair Bolsonaro. O desacerto político da última semana culminou com uma série de derrotas impingidas ao governo em votações na Câmara, que ganham peso porque ocorreram no mesmo dia em que o ministro Sérgio Moro levou à Casa o projeto de lei anticrime e na véspera do anunciado envio da reforma da Previdência –da qual ainda não se conhecem os detalhes– à mesma Casa.

Deputados aprovaram, com larga margem de votação (favor colocar aqui o placar), projeto de decreto legislativo que derrubou o decreto presidencial que ampliava o número de pessoas com autorização para classificar documentos públicos como “secretos” ou “ultrassecretos”.


Paralelamente ao barata voa no plenário da Câmara, o governo foi alvo de mais desdobramentos da crise não-debelada com a demissão de Gustavo Bebianno. Alertamos no BR18 que o acordo de desagravo a Bebianno incluía a divulgação do vídeo com elogios ao ex-ministro nas redes de Jair Bolsonaro e família, o que não foi feito. O resultado? Bebianno não se calou. Numa entrevista de duas horas à rádio Jovem Pan, Bebianno comentou ao vivo os áudios de conversas suas com Bolsonaro disponibilizados por ele mesmo à imprensa, criticou Carlos Bolsonaro, a quem acusou de fazer “macumba psicológica” na cabeça do pai e defendeu sua atuação no cargo como tendo sido feita para melhorar o trânsito de Bolsonaro com a imprensa.

É nesse clima que a reforma da Previdência deve ser enviada à Câmara nesta quarta-feira, talvez pelas mãos do próprio Bolsonaro. O projeto ainda é uma incógnita nos detalhes e precisará ser explicado à população e negociado com deputados –que, ontem, mandaram ao governo o recado de que não aceitarão um prato pronto e querem ser chamados para negociar.

Sem isso, outra proposta importante do governo enviada nesta terça, o pacote anticrime do ministro Sérgio Moro, também não terá vida fácil. Moro já teve de engolir o desmembramento da criminalização do caixa dois do resto da proposta. Sem isso, ela dificilmente passaria pelo crivo de deputados e senadores, conforme colegas alertaram ao ex-juiz. Moro mostrou que começa a aprender política: já até relativizou a gravidade do caixa dois, dizendo que não é a mesma que o do crime de corrupção.

E num momento em que Bebianno ameaça se tornar um homem-bomba, outro deles foi novamente preso: o ex-diretor da Dersa e operador do PSDB Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, foi para Curitiba na 60ª fase da Lava Jato, que arrastou também o ex-senador e ex-chanceler Aloysio Nunes, que teve busca e apreensão em sua casa pela Polícia Federal e pediu demissão da Invest SP.

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