15.02.2019 | 23h25

Carta do BR18: Crise no governo está longe do fim

Por Marcelo de Moraes*

Gustavo Bebianno deve ser o primeiro ministro a cair no governo de Jair Bolsonaro. O ministro foi fritado publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro, que o chamou de mentiroso, e, ao menos durante a tarde desta sexta-feira, 15, parecia que ia continuar no governo. O presidente foi aconselhado por militares e por outros assessores próximos a manter o ministro para esfriar o caso e impedir que o governo fosse todo contaminado pela crise e colocasse em risco até o ambiente de discussão da reforma da Previdência no Congresso. Mas o jogo virou. Agora interlocutores do governo garantem que ele está fora da equipe ministerial e que sua exoneração será na segunda feira.

A relação entre o ministro e o presidente estremeceu na quarta-feira. A suspeita de existência de um esquema de candidatos laranjas dentro do PSL, partido do presidente e que era presidido por Bebianno, também está longe de terminar. E o ministro ainda segue tendo como desafeto o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, que foi o pivô da crise ao dizer que Bebianno era mentiroso. Se cair, pode cair atirando.

A interferência inadequada de Carlos fez também que os auxiliares mais próximos do presidente recomendassem que ele fosse afastado das decisões do Planalto pelos problemas que isso estava causando ao governo. Bolsonaro teria concordado em afastar o filho, mas não se sabe até que ponto isso vai acontecer de fato. Carlos passou o dia no Rio participando da primeira sessão da atual legislatura da Câmara Municipal ocupando o posto que tem de fato: vereador.


A iminente queda de Bebianno causa incerteza política e coloca em risco o clima favorável para votar a proposta da reforma da Previdência, que será enviada ao Congresso na próxima semana. Tanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, quanto da Câmara, Rodrigo Maia, deram declarações de que a queda do ministro será ruim para a articulação política.

A crise gerou críticas até do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que admitiu, nas suas redes sociais, que todo início de governo é “desordenado”, mas, segundo ele, “o atual está abusando”. “Não dá para familiares porem lenha na fogueira”, escreveu FHC. Em Brasília, o assunto que o governo quer falar é da chamada “Lava Jato da Educação”, que teria tido o pontapé inicial dado na última quinta-feira. O ministro Ricardo Vélez Rodrigues disse que entregou à Justiça indícios de corrupção no MEC em gestões passadas.

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*Colaborou Gustavo Zucchi

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