13.02.2019 | 23h00

Carta do BR18: Carlos Bolsonaro chama ministro de mentiroso e abre crise no governo

Por Marcelo de Moraes*

O presidente Jair Bolsonaro nem teve tempo para celebrar sua alta do Hospital Albert Einstein, depois de 17 dias internado para cirurgia de retirada de uma bolsa de colostomia. Nas redes sociais, um de seus filhos, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), veio a público para desmentir uma entrevista do ministro da Secretaria-geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Nela, Bebianno afirmara ter conversado três vezes com o presidente sobre sua participação num suposto esquema de repasse irregular de recursos do Fundo Partidário do PSL para candidatos laranjas. O ministro dissera que as conversas com o presidente eram a prova de que não havia nenhum mal-estar dentro do governo por causa do problema. Carlos não apenas disse que isso era mentira, como ainda divulgou um áudio de uma conversa do pai para Bebianno, onde dizia que não poderia conversar sobre a acusação.

Não se sabe se Carlos teve autorização do pai para divulgar ou não o áudio com a mensagem para Bebianno, mas esse movimento trouxe mais um desconforto para o governo, onde o clima interno vai se desgastando cada vez mais rápido. E a confusão acontece no exato momento em que há uma queda de braço entre equipe econômica e a ala política do governo sobre o teor da reforma da Previdência que será enviada na próxima semana para o Congresso.

A volta de Bolsonaro à ativa, ainda que limitado pelas suas condições de saúde, ajuda a destravar o governo nessa discussão. Mas se o presidente resolver atender à ala política, como está se inclinando a fazer, e suavizar a proposta, causará decepção no mercado e também no ministro da Economia, Paulo Guedes, defensor de medidas mais duras.


No Congresso, as comissões do Senado começaram a ganhar presidentes, com Simone Tebet (MDB-MS) e Omar Aziz (PSD-AM) sendo oficializados nas duas mais importantes da Casa, a de Constituição e Justiça e a de Assuntos Econômicos, respectivamente. Ao mesmo tempo, uma onda de pedidos de aberturas de CPIs deve produzir uma investigação sobre o pagamento de indenizações para anistiados políticos, numa comissão que deverá ser palco de disputas ideológicas entre esquerda e direita.

Aliás, mais um arranca-rabo entre o Legislativo e o Judiciário iniciou nesta quinta-feira, 13. O STF iniciou o debate sobre possível omissão do Congresso ao criar leis que criminalizem a homofobia. Caso seja do entendimento dos ministros, a Corte pode determinar uma data limite para que seja criada uma lei sobre o tema. Claro que muita gente não gostou, incluindo o presidente Jair Bolsonaro e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro. Na visão delas, o tema não é da alçada do Supremo e deve ser deixado para o Congresso.

Já na área de Segurança, o governo de São Paulo transferiu 22 dos principais líderes do PCC para presídios do sistema penitenciário federal de fora do Estado como forma de quebrar a cadeia de comando da organização criminosa. A transferência incluiu o principal líder do PCC, Marcos Camacho, o Marcola, que será enviado para Rondônia.

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*Colaborou Gustavo Zucchi

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