27.02.2019 | 23h00

Carta do BR18: Bolsonaro tenta remendo na articulação política e causa mais ruídos

Por Vera Magalhães*

Com a reforma da Previdência batendo à porta, já passou da hora de Jair Bolsonaro arrumar a casa e articular sua base no Congresso. Só que o modo como o governo optou por varrer a desorganização parece estar causando mais ruídos do que soluções. Por exemplo, a indicação de vice-líderes do governo na Câmara causou reclamações dos partidos, cujas cúpulas não foram consultadas antes da escolha dos nomes. A nomeação de Joice Hasselmann como líder do governo no Congresso também sinaliza que futuras trombadas podem acontecer. Isso porque a função para a qual a deputada foi designada pouco ou nada tem a ver com a costura da reforma da Previdência ou de votações importantes na Câmara. A função dessa liderança é organizar a discussão e votação do Orçamento e de outros temas do Congresso, como vetos presidenciais. Tanto é assim que é um posto menos disputado pelos políticos. Se Bolsonaro queria “empoderar” Joice e fazê-la suprir as óbvias deficiências de interlocução do Major Vitor Hugo (PSL-GO), deveria nomeá-la para a função dele.

Diante da resistência do Legislativo às tentativas de negociar a formação de uma base aliada à revelia dos partidos, o jeito será o governo ceder, inclusive no texto da Previdência. Duas das principais reclamações dos congressistas, a aposentadoria rural e o Benefício de Prestação Continuada, já são dadas como derrotas certas do texto original. O projeto que reformará a aposentadoria e pensões dos militares, prometido pelo governo até o dia 20 de março, deve ser adiantado após as advertências de Rodrigo Maia de que não há sequer como debater a reforma sem que a proposta que trata dos militares seja conhecida.

Nem o “superministro” Sérgio Moro está sendo poupado pelas hostes mais raivosas do bolsonarismo nas redes sociais. A nomeação de Ilona Szabó para ser suplente do CNPCP (Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária) causou fúria na internet, em especial dos olavistas. Tudo porque ela é co-fundadora e diretora-executiva do Instituto Igarapé e uma defensora ferrenha do desarmamentismo. Moro justificou a interlocutores que o conselho apenas tem função consultiva, a participação nele não é remunerada e não se espera que todos os integrantes de um órgão de debate de políticas públicas pensem da mesma maneira. Ou seja: disse o óbvio.


E o autoproclamado presidente encarregado da Venezuela, Juan Guaidó, estará em Brasília para se encontrar com Jair Bolsonaro nesta quinta-feira e discutir a cada vez mais profunda crise da Venezuela. Ele busca assim se blindar para a possibilidade de voltar a seu país e ser preso por Maduro. Tudo isso para você, assinante da newsletter do BR18! Boa leitura!

*Com colaboração de Gustavo Zucchi

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