12.04.2019 | 23h00

Carta do BR18: Bolsonaro intervém em preço do diesel, assusta mercado e Petrobrás perde R$ 32 bi

Por Marcelo de Moraes*

 

Preocupado com a possibilidade de uma nova paralisação dos caminhoneiros, Jair Bolsonaro decidiu pedir que fosse suspenso o aumento de 5,7% que a Petrobrás daria para o preço do diesel. A decisão pegou o mercado de surpresa, que não esperava a intervenção do presidente na política de preços da estatal. Pior: o movimento foi imediatamente associado à política de preços controlados para os combustíveis adotada por Dilma Rousseff em seu governo e que causou grandes prejuízos para a empresa.
O gesto do presidente teve consequências imediatas, com a queda da bolsa e das ações da Petrobrás, causando um prejuízo superior a R$ 32 bilhões. As ações ON fecharam em queda de 8,54% e os papéis PN recuaram 7,75%. Com isso a companhia terminou o dia valendo R$ 361,499 bilhões.

Mas a maior perda para o governo foi o da confiança dos investidores. Certo de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, tinha plenos poderes para controlar eventuais arroubos do presidente, o mercado não apostava que Bolsonaro pudesse intervir nos preços.


O próprio Bolsonaro confirmou que fez o pedido para que a Petrobrás revisse seus preços. Fez mais: também pediu para que a estatal lhe explique, na próxima terça, como a empresa chegou ao cálculo de que o reajuste do diesel deveria ser de 5,7%. Ou seja, ampliou a tensão do mercado até a conclusão dessa reunião.

Aliados do presidente dizem que entre bancar uma esporádica intervenção num preço e deixar que uma nova greve de caminhoneiros paralisasse o País, Bolsonaro não teve dúvidas em meter a mão na Petrobrás. Até porque, com a popularidade diminuindo, seria um cenário político muito complicado para o governo ter de administrar os efeitos de novo protesto dos caminhoneiros. Segundo um ministro, entre duas decisões difíceis, Bolsonaro preferiu escolher a menos ruim. A dúvida é saber se ele, de fato, escolheu a menos ruim.

O clima pesado na economia torna mais difícil para o governo a tarefa de fazer avançar a proposta de reforma da Previdência. O Planalto pediu a seus aliados que mantenham a reforma da Previdência como primeiro item de votações na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e trabalhem para aprovar o relatório do deputado Marcelo Freitas (PSL-MG). O problema será conter a articulação comandada por partidos do Centrão, que seguem insatisfeitos com o Planalto e querem votar a PEC do Orçamento Impositivo antes da reforma. Como o governo segue tendo um arremedo de articulação política no Congresso, a tarefa não será nada simples.

Jair Bolsonaro finalmente comentou a morte do músico Evaldo Rosa, alvejado por 80 tiros em uma ação do Exército. Talvez fosse melhor não ter dito nada: o presidente causou polêmica ao defender os militares e afirmar que “o Exército não matou ninguém”. “O Exército é do povo. A gente não pode acusar o povo de assassino. Houve um incidente. Houve uma morte. Lamentamos ser um cidadão trabalhador, honesto”, afirmou Bolsonaro. Confira estas e outras histórias na newsletter do BR18! Bom fim de semana!

*Colaborou Gustavo Zucchi

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