07.03.2019 | 23h00

Carta do BR18: Bolsonaro faz live para desfazer mal estar de fala polêmica sobre democracia

Por Marcelo de Moraes

Jair Bolsonaro retomou uma prática da campanha eleitoral, quando fazia transmissões ao vivo pelas suas redes sociais em busca de votos. Dessa vez, ao usar a prática pela primeira vez desde que assumiu o governo, o presidente procurou mesmo foi apagar um incêndio causado por mais uma declaração polêmica. Mais cedo, numa solenidade dos Fuzileiros Navais, Bolsonaro precisou de um discurso de menos de cinco minutos para causar mal estar ao dizer que “só existem democracia e liberdade se as Forças Armadas assim o quiserem”.

A frase foi bombardeada por opositores e aliados e causou constrangimento até entre integrantes das Forças. O risco de acumular um novo desgaste, depois de, dois dias antes, ter criado grande polêmica ao exibir um vídeo escatológico nas suas redes sociais, fez com que Bolsonaro decidisse agir como bombeiro dessa vez. Ele decidiu falar sobre sua declaração na transmissão para dizer que não havia nenhuma polêmica e que quis dizer apenas que as Forças zelavam pela democracia no País.

Para reforçar a mensagem, Bolsonaro fez a live ladeado, quase escoltado, por dois generais integrantes do seu governo: o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, e o porta-voz Otávio do Rêgo Barros. Acionado pelo presidente, Heleno declarou que não havia polêmica nenhuma na fala do presidente. O problema é que a presença dos dois militares na transmissão passou também a ideia de que Bolsonaro parece precisar sempre de quase uma tutela de aliados mais experientes para que as coisas não percam seu rumo.


A transmissão também atendeu ao pedido dos aliados que desejam ver o presidente engajados na defesa da reforma da Previdência. Ele falou sobre o assunto e diz que espera ver a proposta aprovada no Congresso pela sua importância para o País. E afirmou que espera que os parlamentares não a desidratem demais para que não perca o impacto econômico.

A fala do presidente pode ser um primeiro passo na tentativa de o governo conseguir fazer a reforma se mover dentro do Congresso. Hoje, mesmo tendo o período de Carnaval para tentar dar uma freada de arrumação e azeitar a relação com os aliados, o governo simplesmente segue sem ter sua base organizada. Pelo menos, o governo pode celebrar que terá uma preocupação a menos, já que a bancada do PSL chegou a um consenso e decidiu escolher o deputado Felipe Francischini para presidir a Comissão de Constituição e Justiça. É justamente na CCJ que a reforma começará a tramitar dentro do Congresso.

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