26.02.2019 | 23h24

Carta do BR18: Aposentadoria de professores vira novo gargalo na reforma e crise da Receita desgasta governo

Por Marcelo de Moraes

A proposta da reforma da Previdência ganhou uma nova resistência dentro do Congresso. Agora, líderes de partidos do chamado Centrão querem aliviar os professores, propondo que sua aposentadoria seja feita aos 50 anos para as mulheres e aos 55 anos para os homens. Pelo menos dois partidos, PR e DEM, já declaram publicamente que pretendem mexer nessa parte do texto.

Enquanto não consegue montar sua base de apoio dentro do Congresso, Jair Bolsonaro vai vendo os partidos alterarem pouco a pouco a proposta enviada pelo governo. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já admitiu que será muito difícil que os deputados aprovem a parte do texto que trata da aposentadoria rural e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Para evitar que a proposta comece a ficar desfigurada, o presidente se reuniu pela primeira vez com os líderes partidários – excluídos os da oposição – para tentar melhorar a relação com o Congresso. Mas o caminho parece ser ainda distante. Mais cedo, o próprio Maia afirmara que o presidente parecia ser “refém do discurso de campanha”, e disse que Bolsonaro não podia “menosprezar a política”.


Se Bolsonaro é visto como preso ainda ao discurso de campanha, seu início de governo começou a ser avaliado em pesquisas, como a da CNT/MDA e o resultado acendeu uma luz amarela no Planalto. A aprovação do presidente nos dois primeiros meses de governo soma 38,9% e é a menor da série histórica da Confederação Nacional dos Transportes desde Fernando Henrique Cardoso. A série antes era feita pelo Sensus. FHC e Lula tiveram um empate técnico no início das gestões, oscilando na faixa de 57% de avaliação ótima ou boa. Dilma Rousseff no primeiro mandato tinha 49% de aprovação. Ou seja, Bolsonaro só foi melhor que a desgastada Dilma do segundo mandato e seu substituto Michel Temer.

Outro problema que o governo precisa administrar é a crise provocada dentro da Receita Federal por conta do vazamento de investigações contra as chamadas “pessoas politicamente expostas”, grupo de contribuintes que inclui políticos, magistrados e seus parentes. O secretário especial da Receita, Marcos Cintra, pediu que o ministro da Justiça, Sérgio Moro, investigue o vazamento intencional de dados de alvos da Receita sobre pessoas desse grupo, como o ministro Gilmar Mendes e Roberta Rangel, esposa do presidente do Supremo, Dias Toffoli. Para tentar debelar esse incêndio, Bolsonaro telefonou para Gilmar para conversar sobre o assunto e dizer que o governo estava tomando providências a respeito.

No meio de tanta confusão, o presidente conseguiu pelo menos uma boa notícia ontem com a aprovação tranquila no Senado do nome de Roberto Campos Neto para presidir o Banco Central. Após a polêmica causada ontem pelo MEC, mais um recuo para a longa lista que o governo Bolsonaro tem cultivado. O ministro Ricardo Vélez Rodrigues admitiu que foi um erro incluir o slogan do governo na mensagem que deveria ser lida aos alunos e o pedido para que as crianças sejam gravadas. A medida foi criticada nesta terça-feira até mesmo pelo vice-presidente Hamilton Mourão, que classificou tudo o uso do slogan como “contra a lei”.

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