07.02.2019 | 23h16

Carta do BR18: À espera de Bolsonaro, reforma ainda não tem votos, nem rumo definido

Por Marcelo de Moraes *

Com Jair Bolsonaro ainda internado no Hospital Albert Einstein, sem data definida para receber alta e com uma pneumonia constatado, a reforma da Previdência entrou numa espécie de compasso de espera aguardando pelas orientações do presidente sobre qual rumo terá. Passa por Bolsonaro a definição sobre qual proposta vai valer e qual será a estratégia para tentar aprovar um texto. Mas, com o presidente ainda se recuperando de uma cirurgia para retirada da bolsa de colostomia, as definições vão sendo adiadas.

E não faltam dúvidas sobre a proposta. Sem que o Planalto defina a montagem da base aliada, cabe ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o papel de articulador informal do governo, já que também apoia a reforma. Cauteloso, Maia contrariou o mercado ao prever que a reforma não poderá ter sua tramitação acelerada sob risco de ser alvo de judicialização. Na sua previsão, ela poderá ser votada na segunda quinzena de maio. Só que, para isso, o governo ainda precisa definir muitas coisas, incluindo o texto final do projeto. Pragmático, Maia afirma que não adianta acelerar a a discussão da proposta quando não se tem ainda os votos necessários para aprová-la.

Do lado da oposição, também não há tranquilidade. Depois de uma campanha presidencial onde o PDT de Ciro Gomes e o PT entraram em conflito, parece que a ferida está longe de cicatrizar e a oposição está longe de se entender. Convidado para participar de um evento da UNE, Ciro foi vaiado por militantes petistas e reagiu repetindo a frase dita na campanha por seu irmão Cid Gomes: “Lula está preso, babaca”.


Já em São Paulo, O PT, ainda lambendo as feridas após a derrota tanto na eleição para o governo do Estado quanto para a prefeitura paulistana, já pensa no pleito de 2020. Fernando Haddad deve ser poupado para concorrer em 2022 e nomes como Aloizio Mercadante e o de Jilmar Tatto começam a ser especulados. Quem também esteve na capital paulista nesta quinta-feira foi Sérgio Moro, que passou um recado para quem usa caixa 2: “É trapaça”, disse o ministro.

Brumadinho no Senado. Depois de anunciar que o Senado “terá suas portas destrancadas”, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre anunciou que a CPI que investigará a tragédia na cidade mineira será instalada na próxima terça-feira.

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* Colaborou Gustavo Zucchi

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