22.02.2019 | 23h00

BR18: Sob tensão, Brasil mantém operação para levar ajuda humanitária para Venezuela

Por Marcelo de Moraes*

O governo de Jair Bolsonaro decidiu manter a operação de entrega de ajuda humanitária para a Venezuela, prevista para ocorrer neste sábado, apesar do aumento da tensão entre os dois países, depois que Nicolás Maduro ordenou que a fronteira com o Brasil fosse fechada. Soldados de Maduro dispararam contra um grupo de indígenas venezuelanos, que tentavam impedir que a fronteira fosse fechada, matando duas pessoas e ferindo outras 15. Cinco desses feridos foram levados para o hospital em Boa Vista.

A questão com a Venezuela acabou se tornando o maior desafio da diplomacia brasileira em muitos anos. Apesar das provocações feitas pelo país vizinho nos últimos dias, autoridades de governo, como o vice-presidente, general Hamilton Mourão, insistem que o Brasil não participará de qualquer ação militar contra Venezuela.

O porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, afirmou que o Brasil tentará entregar 200 toneladas de alimentos básicos e medicamentos para os venezuelanos. Como Maduro tem recusado a ajuda, a situação poderá se tornar um impasse, ampliando a tensão no local. Segundo o governo brasileiro, todo o material será levado de Boa Vista até Pacaraima, na fronteira, por caminhões e motoristas venezuelanos.


Com o país em colapso, os venezuelanos têm fugido e cruzado a fronteira em busca de melhores condições de vida. Antes de a passagem para o Brasil ter sido fechada por ordem de Maduro, o cálculo é que cerca de 700 venezuelanos por dia estavam entrando em Roraima, comprometendo, por exemplo, os servido de saúde da capital Boa Vista.

No Congresso, a preocupação continua sendo a reforma da Previdência. Os governistas querem acham um deputado confiável para relatar a proposta, mas os candidatos disponíveis temem se desgastar politicamente com a tarefa e a escolha se tornou difícil.

Outro problema é a cobrança dos partidos por mais espaço dentro do governo em troca do apoio à reforma. Para começar a atender os pedidos represados, o governo está criando uma “bolsa de talentos” para que os parlamentares indiquem seus nomes para ocupar cargos no governo. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cobrou que o governo melhore sua articulação política e acha que a reforma poderá ser votada até julho, desde que a Câmara a aprove até abril. Difícil será convencer um Congresso completamente desarticulado em relação ao governo a seguir esses prazos.

Nesta sexta-feira teve também operação da PF cujo um dos alvos foi o senador Ciro Nogueira (PP-PI). A Polícia Federal fez busca e apreensão em endereços ligados ao político. O objetivo é avançar nas investigações sobre os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.  Já Flávio Bolsonaro em nova polêmica. Uma irmã de milicianos teria assinado cheques de campanha em nome do filho do presidente.

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* Colaborou Gustavo Zucchi

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