14.05.2019 | 23h00

BR18 Analisa: Governo feito barata tonta na Câmara

Por Vera Magalhães

O governo sofreu um vareio na Câmara hoje: no mesmo dia, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, foi convocado a depor no plenário da Casa sobre o contingenciamento de recursos na sua pasta e os deputados decidiram que nenhuma medida provisória será votada nesta semana.

Dia do Basta. As duas decisões têm consequências bastante negativas para o Executivo. Weintraub, por acachapantes 307 votos a 72, viu o que era um convite para debater no âmbito da Comissão de Educação se transformar numa convocação para ficar à mercê do conjunto da Câmara justamente no dia marcado para a greve na Educação. Ou seja: o clima estará tenso nas ruas e no Legislativo.

MPs perto de virar pó. Também nesta terça, 14, não houve acordo para votar nenhuma medida provisória nesta semana. Com isso, 11 MPs correm o risco de caducar. Duas delas já são consideradas casos perdidos, como a que prevê a abertura do setor aéreo. A MP 870, que trata da reestruturação administrativa do governo, também está na lista das que podem perder a validade.


Não a Bolsonaro. Por fim, os líderes do DEM e do PP recusaram convite, que estava inclusive na agenda oficial da Presidência, para um encontro com Bolsonaro. O que foram todas essas derrotas? Uma resposta à frágil articulação política do governo e ao tom bélico adotado pelos líderes do PSL contra os chamados partidos do Centrão desde o fim de semana.

Bolsonaro entra. O presidente tentou, na reunião com os líderes que foram ao seu encontro, reagir ao dia de protestos na Educação. Diante dos deputados, ligou para Weintraub, orientando-o a dizer que não haveria mais cortes, segundo os participantes. Pode ser retórica voluntarista e inócua: o contingenciamento já foi determinado pelo Ministério da Educação em 22 de março. O próprio ministro continuou defendendo a medida em entrevista à rádio Jovem Pan no início da noite.

Live não vira voto. Em infindáveis lives e postagens nas redes sociais, deputados como o Major Vitor Hugo (PSL-GO) passaram mais tempo apontando chantagem de deputados e partidos que articulando as votações de interesse do governo. Vitor Hugo chegou a dizer que não havia razão para ter pressa na votação das MPs.

Anéis, dedos… Com a incompetência governista, o risco é toda a estrutura administrativa do governo retroceder à que vigia até o governo Michel Temer. Sob o pretexto de cerrar fileiras para manter o Coaf com Sérgio Moro, a neófita e estridente bancada do PSL pode empurrar o governo para uma derrota histórica – que, além de tudo, prenuncia um completo despreparo para a votação mais importante de todas, a da reforma da Previdência.

PS: Marcelo de Moraes está em merecidas férias. Espero que o leitor não enjoe de mim!

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