26.04.2019 | 23h00

BR18 Analisa: Bolsonaro quer retirar recursos da área de Humanas

Por Vera Magalhães

A polêmica começou na quinta e se estendeu pela sexta-feira: Jair Bolsonaro e o ministro da Educação, Abraham Weintraub, querem retirar recursos dos cursos de Humanas. 

Num eufemismo pouco compreensível empregado pelo presidente, trata-se de “descentralizar” verba destinada a cursos nas áreas de humanidades, como Filosofia e Sociologia, e destiná-la a outros das áreas de Ciências Exatas e Biológicas, como Veterinária e Engenharia, que dariam “retorno mais imediato” ao contribuinte.

Estrago. O anúncio foi feito a conta-gotas: na visita de Bolsonaro ao MEC, na quinta, 25, e depois por meio de uma indefectível postagem do presidente no Twitter. A repercussão foi grande: protestos vieram da comunidade acadêmica e científica, de políticos de oposição e de entidades dedicadas à Educação. Em nota conjunta, as associações brasileiras de Antropologia, Sociologia, Ciência Política e de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais afirmaram que as declarações do presidente têm “motivação político-ideológica“.


Não para. A discussão sobre Educação fechou uma semana marcada por outras controvérsias, como a guerra entre a família Bolsonaro e o vice, Hamilton Mourão, e a discussão sobre mudanças na Lei Rouanet, que atingiram a produção cultural em cheio.Concorrência. Não é só na guerra ideológica que as declarações do presidente geram ruídos: em entrevistas, o presidente da Comissão Especial que vai discutir a reforma da Previdência, deputado Marcelo Ramos (PR-AM), disse que quanto menos o presidente falar, melhor para a aprovação da medida. “Isso vai ajudar bastante, pois cada vez que ele fala ele retira alguma coisa”, disse em entrevista à rádio Eldorado.

Paz e amor? E por falar em entrevista, depois da liberação do Supremo Tribunal Federal, foi realizada ontem a entrevista do ex-presidente Lula, preso há mais de um ano em Curitiba por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex no Guarujá. Em tom exaltado, como se estivesse num palanque, Lula repetiu que foi condenado sem provas e desferiu ataques ao ex-juiz Sérgio Moro e ao procurador Deltan Dallagnol. Disse que espera viver “120 anos” para provar sua inocência, e criticou o governo Bolsonaro. Para ele, o País hoje é governado “por um bando de maluco”.

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