17.02.2019 | 11h16

Bebianno e a bomba-relógio contra Bolsonaro

Parece nítido que o ainda ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, está calculando cada palavra que usa para se referir ao seu processo de fritura e iminente saída do governo. E delas já se extraem algumas claras evidências. Bebianno disse que espera para ver o papel com sua exoneração para ter certeza de que foi, de fato, demitido. Mas, pelos recados que vem enviando, já está acendendo a fogueira em que pretende queimar o presidente Jair Bolsonaro.

Bebianno já deixou claro de que não aceitará quieto ver sua reputação ser incinerada publicamente. Em algumas conversas com interlocutores, mostrou que não pretende perder tempo mirando apenas no vereador Carlos Bolsonaro, um dos filhos do presidente e pivô de sua virtual queda. Bebianno tem atribuído seu infortúnio ao próprio Bolsonaro, a quem, em pelo menos uma conversa informal, revelada pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, teria se referido como “uma pessoa louca”. Em outra conversa, revelada pelo jornalista Gérson Camarotti, teria dito que “precisava pedir desculpas” por ter ajudado a eleger Bolsonaro, que não sabia que era tão fraco. Consumada sua demissão, Bebianno, memória ambulante da campanha presidencial, se transformará numa espécie de bomba-relógio contra Bolsonaro. /M.M.


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